Dia do Luto (19/6): despedidas mais humanas ajudam a ressignificar a dor da perda

Mylena Cooper, CEO das Empresas Vaticano e da The Diamond, propõe um olhar mais humano sobre as despedidas, com foco em acolhimento, memória e afeto

Falar sobre morte ainda causa desconforto, mas evitar o assunto não torna a perda mais leve. No Dia do Luto, lembrado em 19 de junho, a reflexão passa pela forma como as famílias são acolhidas no momento da despedida e por como os rituais podem ajudar a preservar histórias, vínculos e memórias.

Para Mylena Cooper, especialista em experiências de despedida e memorialização e CEO das Empresas Vaticano e da The Diamond, o luto não precisa ser tratado apenas como sinônimo de silêncio, medo ou sofrimento. A perda de alguém amado nunca será simples, mas a despedida pode ser mais humana, menos fria e mais conectada à trajetória de quem partiu.
“Durante muito tempo, aprendemos a falar sobre a morte de uma forma muito dura, quase sempre associada ao vazio. Mas o luto também pode ser atravessado com cuidado, acolhimento e memória”, afirma Mylena.

À frente de negócios familiares ligados ao cuidado com famílias enlutadas, a empresária defende que os rituais tenham mais identidade e sensibilidade. Segundo ela, humanizar esse momento não significa diminuir a dor, mas reconhecer que cada história merece ser lembrada de forma respeitosa.

Nas Empresas Vaticano, esse olhar foi construído ao longo de gerações. A primeira esteve ligada ao trabalho manual e à construção de caixões. A segunda ampliou o cuidado para os rituais funerários e para o atendimento às famílias. Já a terceira geração incorporou novas práticas, tecnologias e recursos de acolhimento para tornar as despedidas menos impessoais.

Entre as iniciativas estão o uso de aromaterapia, audioterapia, cães-terapeutas e princípios de neuroarquitetura, com ambientes pensados para oferecer mais conforto às famílias. A tecnologia também ampliou as formas de presença e memória, com transmissões online de cerimônias, QR Codes com histórias de vida, projeções mapeadas, chuva de pétalas e cenários personalizados.

No Cemitério Vaticano de Almirante Tamandaré (PR), a Floresta da Saudade permite o plantio de urnas biodegradáveis com cinzas e sementes, dando origem a árvores. O espaço também conta com o Lago da Saudade, voltado ao espargimento de cinzas em um ambiente de contemplação. Já na The Diamond, cinzas, cabelos ou pelos podem ser transformados em diamantes memoriais.

“Cada cerimônia pode carregar o estilo de quem se foi e também de quem fica. Isso acolhe a família e ajuda a transformar a despedida em um momento com mais sentido”, explica Mylena.

Para a especialista, o Dia do Luto é uma oportunidade para ampliar a conversa sobre morte, memória e cuidado, sem tratar o tema como algo sombrio ou distante.

“O luto não precisa ser um lugar de desamparo. Pode ser também um espaço de carinho, atenção e continuidade”, conclui.

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