O caso de Israel de Oliveira Pacheco, gaúcho que passou mais de uma década preso injustamente por estupro e assalto, será tema de debate na InterForensics 2025, maior conferência de ciências forenses da América Latina. Natural de Gramado (RS), Pacheco foi absolvido após exame de DNA comprovar sua inocência, e agora deve ser indenizado em R$ 1,6 milhão por danos morais, além de receber compensação por danos materiais. O episódio será analisado durante o evento, que ocorre em agosto, em Curitiba.
Pacheco foi condenado a 13 anos e nove meses sob acusação de assalto e estupro de uma jovem de 20 anos, em 2008. Mesmo com a pena reduzida, ele permaneceu preso por 10 anos e sete meses, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a condenação com base em exame de DNA que provou sua inocência. A amostra biológica pertencia, na verdade, a Jacson Luis da Silva, outro réu no processo.
A fragilidade da investigação e a condenação com base em reconhecimento pessoal irregular, desconsiderando a prova técnica, foram destacados pelo juiz Cristiano Eduardo Meincke, da Vara Judicial de Três Coroas, que agora reconhece os erros do Estado na condução do caso.
O chamado “Caso Israel” será um dos temas debatidos na InterForensics 2025, maior conferência de ciências forenses da América Latina, que ocorrerá de 25 a 28 de agosto, em Curitiba. O evento reunirá mais de 200 palestrantes e 1.500 participantes, entre peritos, magistrados, pesquisadores e operadores do direito.
Segundo Rafael Raphaelli, defensor público do Rio Grande do Sul e palestrante que abordará o caso durante a conferência, o episódio “foi um divisor de águas no sistema judiciário, não apenas pelo ineditismo do uso da prova genética em uma revisão criminal, mas também por fomentar uma maior reflexão sobre a fragilidade dos reconhecimentos pessoais sem a observância de formalidades legais”.
Para ele, a recente decisão do Judiciário gaúcho inaugura também um novo marco na esfera cível, ao reconhecer, de forma expressiva, o dano causado por prisões indevidas.
Além do Caso Israel, a InterForensics debaterá episódios emblemáticos como o atentado ao STF, o genocídio na Terra Yanomami, o colapso geológico em Maceió e o acidente com aeronave da Voepass. A conferência será realizada no Via Soft Experience e é organizada pela Fundação Justiça pela Ciência, Escola Nacional de Perícias, Academia Brasileira de Ciências Forenses (ABCF) e Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). E conta ainda com os apoio institucional da: Polícia Federal, Polícia Científica do Paraná, Polícia Científica de Santa Catarina, Conselho Nacional de Dirigentes de Polícia Científica (CONDPC), Museu Paranaense de Ciências Forenses (MPCF), Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), OAB São Paulo – Comissão de Perícias, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Unicentro Paraná.

