Paraná revoluciona setor portuário com movimentação recorde, leilões de R$ 5,1 bilhões e megaobra ferroviária
O Paraná tem promovido uma grande revolução no setor portuário nos últimos anos. Recordes de movimentação, regularização de áreas, novo canal de acesso e a construção do Moegão, sistema exclusivo de descarga ferroviária de grãos e farelos considerada a maior obra portuária do País, têm colocado o Porto de Paranaguá em um novo patamar, impulsionando o desenvolvimento do Estado, que ocupa o posto de 4ª maior economia do País.
Desde 2019, a Portos do Paraná, empresa pública vinculada à Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística (Seil), trabalhou para que 100% das áreas disponíveis para exploração privada fossem regularizadas, acabando com contratos precários de décadas. A medida tem como objetivo a modernização da estrutura portuária paranaense, ao mesmo tempo em que garante uma logística mais eficiente para o escoamento da produção. Os leilões vão garantir R$ 5,1 bilhões em investimentos, além de R$ 1,3 bilhão em outorgas.
Entre os investimentos previstos estão as construções do Píer em “T” (novo corredor de exportações leste), e do Píer em “F” (conectando os terminais do novo corredor oeste). Está prevista ainda a expansão do píer de líquidos, com a interligação dos terminais que operam esse tipo de carga, e da movimentação de veículos, uma das grandes forças dos terminais paranaenses.
CUSTO MENOR – O Porto de Paranaguá também terá, em breve, um novo Canal de Acesso, garantindo o aprofundamento do calado em cerca de dois metros. Foi o primeiro leilão voltado ao acesso de porto público realizado no Brasil, reforçando o pioneirismo do Paraná, cuja autoridade portuária foi a primeira a obter a delegação de competências para realizar seus próprios leilões.
Na prática, o incremento na profundidade do Canal de Acesso, também chamado de Canal da Galheta, passará de 13,3 metros para 15,5 metros, permitindo um adicional de mil contêineres ou 14 mil toneladas de granéis sólidos vegetais em um único navio. A título de comparação, o Porto de Santos e os portos catarinenses têm, em média, 14,5 metros de calado. Dessa forma, o Paraná se prepara para receber as maiores embarcações que navegam pela costa brasileira.
Com isso, o segundo maior porto do Brasil estará preparado para operar porta-contêineres do tipo 366 carregados em sua capacidade máxima, com até 14 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Navios de granéis sólidos poderão carregar até 125 mil toneladas de soja, milho e farelos. Atualmente, o carregamento máximo de um navio graneleiro é de 78 mil toneladas. Já os navios-tanque poderão acessar o canal com até 74 mil toneladas de produtos.
A concessão irá promover uma redução de 12,63% na cobrança da taxa Inframar, paga pelas embarcações para acessar os portos. O principal critério do leilão na Bolsa de Valores (B3) foi o maior desconto oferecido sobre a tarifa portuária de referência. A arrendatária só passará a receber a tarifa completa após cumprir o cronograma de melhorias estipulado no contrato de concessão.
MOEGÃO – Um dos maiores símbolos do novo ciclo de investimentos no Porto de Paranaguá é o Moegão, sistema exclusivo de descarga ferroviária de grãos e farelos, que está em fase de conclusão. Com mais de R$ 650 milhões em investimentos, o complexo logístico vai agilizar o recebimento de trens na área portuária e contará com estruturas modernas de transporte, por meio de torres de transferência de carga e sistemas de alimentação para os terminais portuários.
A estrutura terá capacidade para descarregar até 900 vagões por dia, ampliando a produtividade logística e reduzindo cruzamentos ferroviários na área urbana de Paranaguá. Considerada a maior obra portuária pública em andamento no País, o Moegão deve marcar um novo patamar de eficiência na movimentação de grãos e consolidar o porto como referência logística no Brasil.
Quando entrar em operação, o Moegão elevará o potencial de recebimento de grãos e farelos pelo modal ferroviário no Porto de Paranaguá, que poderá movimentar até 24 milhões de toneladas ao ano. Hoje são pouco mais de cinco milhões de toneladas. Ou seja, além de atender à demanda atual, o porto paranaense estará preparado para o aumento do fluxo previsto para os próximos anos.
MOVIMENTAÇÃO – Investimentos como esses vão contribuir para que a Portos do Paraná amplie ainda mais sua eficiência logística de movimentação. Em 2025, por exemplo, os portos paranaenses movimentaram mais de 73,5 milhões de toneladas de cargas, índice que, segundo estudos técnicos, era previsto para ser alcançado a partir de 2035. Em 2024, a movimentação já havia sido recorde, com 66,7 milhões de toneladas, crescimento superior a 10% entre um ano e outro.
O trabalho eficiente tem sido reconhecido nacional e internacionalmente. A Autoridade Portuária paranaense é a única do País a receber, por seis vezes consecutivas, o prêmio de melhor gestão portuária do Brasil, concedido pelo Ministério de Portos e Aeroportos do Governo Federal. Outros prêmios importantes foram entregues pela Associação Americana das Autoridades Portuárias (AAPA) ao longo dos últimos anos.
“O que antes era uma vergonha para o Paraná, hoje é motivo de orgulho. O Porto de Paranaguá virou sinônimo de eficiência, liderança, comprometimento e investimento, sem perder a essência da visão estratégica para o desenvolvimento do Litoral e das nossas cidades, com obras de infraestrutura, saneamento e preservação ambiental”, afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior.



