Rodovias do Paraná iniciam testes com radares de velocidade média
Nova tecnologia monitora o tempo gasto pelo veículo entre dois pontos da rodovia; durante o período experimental, motoristas não serão multados pela velocidade média
Motoristas que costumam reduzir a velocidade apenas ao passar por um radar e acelerar novamente logo depois terão de se adaptar a uma nova forma de fiscalização que começa a ser testada em rodovias do Paraná.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou projetos-piloto para testar sistemas capazes de calcular a velocidade média dos veículos ao longo de determinado trecho, e não somente a velocidade registrada em um ponto específico.
No Paraná, 13 trechos de rodovias concedidas foram selecionados para participar dos testes, incluindo segmentos das BR-277, BR-376, BR-163, PR-444, PR-862 e PR-151. O período inicial do experimento será de 180 dias.
Como funciona
O sistema utiliza equipamentos instalados em dois pontos diferentes da rodovia. Quando o veículo passa pelo primeiro ponto, sua passagem é registrada juntamente com o horário. Mais adiante, outro equipamento identifica novamente o veículo.
Com a distância conhecida entre os dois pontos e o tempo gasto para percorrê-la, o sistema calcula a velocidade média desenvolvida no trecho.
Na prática, isso significa que frear somente diante do radar e acelerar novamente depois do equipamento deixa de ser suficiente para evitar a identificação de uma velocidade média acima do limite.
Por exemplo, em um trecho de 5 quilômetros onde o limite seja de 80 km/h, o veículo precisa levar pelo menos 3 minutos e 45 segundos para percorrer toda a distância dentro da velocidade regulamentada.
Testes não vão gerar multas
Apesar de o sistema permitir uma forma diferente de monitoramento, a ANTT esclarece que os testes terão caráter técnico, educativo e experimental.
Durante essa fase, a velocidade média registrada pelo equipamento não poderá, por si só, resultar em multa ou outra penalidade. A experiência será utilizada para avaliar a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos, o comportamento dos motoristas e o desempenho da operação.
Os trechos também deverão contar com sinalização informando os motoristas sobre a realização do experimento.
Uma eventual utilização futura da tecnologia para aplicação de multas dependerá de novas avaliações técnicas, regulatórias e jurídicas, além das autorizações necessárias.
Onde os testes serão realizados no Paraná
Entre os trechos selecionados estão:
– BR-277: Morretes, Guarapuava, Laranjeiras do Sul/Nova Laranjeiras, Cascavel/Santa Tereza do Oeste e São Miguel do Iguaçu;
– BR-376: regiões de Mauá da Serra/Ortigueira e Tibagi;
– BR-163: Capitão Leônidas Marques;
– PR-444: Arapongas;
– PR-862: Ibiporã;
– PR-151: trecho entre Carambeí e Ponta Grossa.
Na PR-444, o teste ocorrerá entre os quilômetros 17 e 24, em um segmento de aproximadamente 7 quilômetros. Já na BR-376, na região de Mauá da Serra, o monitoramento está previsto entre os quilômetros 304 e 309.
Tecnologia pode mudar comportamento dos motoristas
A proposta do sistema é acompanhar o comportamento do veículo durante todo o trecho monitorado, evitando que a fiscalização fique concentrada em um único ponto.
A ANTT afirma que os resultados serão acompanhados durante o projeto-piloto e que as concessionárias deverão encaminhar informações periodicamente à agência. Os dados servirão para avaliar os próximos passos em relação à tecnologia.
Por enquanto, portanto, os motoristas que passarem pelos trechos experimentais não receberão multas exclusivamente por causa da velocidade média registrada pelo novo sistema.

