Transporte aquaviário para professores das ilhas do Litoral é conquista histórica para a educação do campo, destaca deputado Goura (PDT)

Professoras, professores e equipes pedagógicas da rede estadual que atuam nas ilhas e comunidades remotas do Litoral Paranaense terão o transporte aquaviário garantido pela Secretaria de Educação do Estado do Paraná (SEED). A conquista é fruto da atuação conjunta dos mandatos da deputada federal Carol Dartora (PT) e do deputado estadual Goura (PDT).

Esta era a principal demanda da categoria que atua na região, uma vez que a dificuldade de deslocamento do continente até as ilhas e comunidades impacta diretamente as condições de trabalho e a permanência dos profissionais nessas unidades escolares.

Durante reunião realizada no dia 11 de junho com representantes da SEED, do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Paranaguá, da direção das escolas e dos mandatos parlamentares, o diretor-geral da SEED, João Giona, recebeu a reivindicação apresentada pelas comunidades escolares e assegurou o início dos estudos administrativos, jurídicos e financeiros necessários para estruturar uma solução permanente para o problema.

O deputado Goura ressaltou que esta é uma conquista que garante dignidade à comunidade escolar e lembrou que, em maio de 2025, o problema já havia sido relatado à SEED por meio do Ofício nº 19/2025, em que os mandatos solicitaram informações acerca dos subsídios e/ou incentivos destinados aos professores da educação do campo das ilhas do Litoral Paranaense.

Ele chamou atenção para as consequências da falta de um transporte aquaviário organizado para a categoria.

“Conforme os profissionais da educação nos relataram, é recorrente a impossibilidade de início das aulas no horário regular, tendo em vista que o primeiro barco disponível para travessia atualmente parte apenas às 8h, o que tem obrigado a unidade escolar a iniciar as atividades por volta das 9h. Tal situação compromete a organização pedagógica, a carga horária efetiva dos estudantes e as condições de trabalho dos docentes”, relatou.

Ao comemorar a resposta da SEED, a deputada Carol Dartora afirmou que garantir o transporte gratuito para esses professores é reconhecer que a educação pública precisa chegar a todos os cantos do Paraná, mas sem sacrificar o bolso de quem ensina.

“Essa é uma vitória que me emociona profundamente, uma vitória construída com muita escuta, diálogo e luta coletiva. Desde o ano passado, quando ouvimos o relato doloroso desses professores, meu coração ficou apertado ao ver trabalhadores tirando até mil reais do próprio bolso, todo mês, apenas para conseguir chegar de barco até as salas de aula nas ilhas. Isso não era justo”, disse.

“Construímos essa luta passo a passo, unindo forças com o mandato do Goura, dialogando com a SEED, com o Núcleo de Paranaguá e com os diretores das escolas”, completou.

Travessia

Os mandatos parlamentares se reuniram diversas vezes com os educadores e elaboraram um relatório apontando as dificuldades, o contingente de profissionais afetados e os valores gastos com o transporte aquaviário particular.

Segundo descrito no ofício encaminhado à SEED, os relatos apontam que o valor do auxílio-transporte é insuficiente para cobrir os custos reais das viagens, obrigando professoras e professores a complementar as despesas com recursos próprios. Em muitos casos, os docentes precisam se organizar coletivamente para fretar barcos, pois o custo individual é inviável.

Além disso, embarcações com melhores condições de segurança apresentam preços mais elevados, o que leva parte dos profissionais a utilizar alternativas menos adequadas.

Como consequência dos altos custos de transporte, muitos professores precisam recorrer à hospedagem nas comunidades onde trabalham. Entretanto, diversas localidades não dispõem de pousadas ou estruturas adequadas, levando docentes a pernoitarem nas próprias escolas.

Em locais com infraestrutura turística consolidada, como a Ilha do Mel, os preços das diárias são elevados devido à forte demanda turística. Em outras situações, as condições climáticas adversas impedem o retorno dos profissionais, tornando a permanência no território uma necessidade.

Outro dado relevante é a disparidade entre os indicadores educacionais de municípios que compartilham o modelo de educação do campo — a exemplo de Guaraqueçaba, que possui IDH Educacional de 0,434, enquanto Paranaguá registra 0,676. A diferença levanta questionamentos sobre os fatores que contribuem para essa desigualdade.

De acordo com os parlamentares, a problemática do transporte aquaviário e as demais condições de trabalho contribuem para a alta rotatividade de professores nas escolas de educação do campo, com frequentes desistências, substituições e mudanças de profissionais ao longo dos anos.

“Essa instabilidade compromete a qualidade da educação ofertada e a permanência dos alunos na escola”, apontou Goura.

Encaminhamentos

João Giona reconheceu a legitimidade da demanda apresentada pelas comunidades escolares e afirmou que a questão deve receber tratamento institucional por parte do Governo do Estado.

A Secretaria informou que buscará uma alternativa permanente para garantir o transporte dos profissionais. Para isso, estudará a possibilidade de realização de processo licitatório para contratação de serviço de transporte aquaviário, bem como a articulação com os municípios para avaliação de soluções integradas entre as redes estadual e municipal de ensino.

Os representantes da comunidade escolar destacaram que a solução deve considerar as diferentes realidades das comunidades insulares, buscando garantir condições adequadas de segurança, regularidade e dignidade aos profissionais da educação.

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